Polícia e MP-RS investigam esquema de superfaturamento, desvios e 'obras fantasmas' na Corsan em São Marcos

  • 15/09/2021
(Foto: Reprodução)
Serviços envolvendo funcionário e empreiteira são alvos de análise. Irregularidades foram apontadas por servidor e também em auditoria interna da empresa. Em três anos, prejuízo à companhia teria sido de R$ 700 mil. Esquema de superfaturamento e 'obras fantasmas' na Corsan são investigados na Serra Um suposto esquema de superfaturamento, obras fantasmas e desvio de tubulações estaria lesando a Companhia Rio-grandense de Saneamento (Corsan). A denúncia feita por um funcionário da estatal abriu uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público (MP) em São Marcos, na Serra do RS. Diversas irregularidades também foram apontadas em auditoria interna da empresa. Conforme o relato do funcionário, a Corsan pagaria a uma empreiteira até por reparos realizados pela prefeitura. A apuração da RBS TV aponta que as denúncias na Corsan se arrastam desde 2018, quando uma auditoria interna apontou os mesmos problemas, com suspeita de envolvimento de um funcionário. Em nota, a Corsan disse que tomou providências sobre os apontamentos da auditoria, como o bloqueio de pagamentos à empreiteira e novas medidas de controle interno. A empresa também afirma que abriu processo administrativo. Leia mais abaixo Um relatório de auditoria chega a indicar que um mesmo serviço foi cobrado três vezes da estatal pela empreiteira JLV, que teria subcontratado uma empresa pertencente à sogra do servidor Márcio Rabeschini para realizar as obras. A empresa afirma que foi lesada e roubada na negociação. Já o servidor diz que desconhece os relatos da denúncia. Leia mais abaixo Em relação às suspeitas de um funcionário, a comissão de sindicância considerou satisfatórios "quase todos" os esclarecimentos feitos pelo servidor citado na apuração. A companhia ainda afirma que o jurídico da estatal recomendou o arquivamento do expediente, mas que, diante das divergências, a diretoria aguarda as investigações do MP. Leia mais abaixo. Outro trecho do documento indica que oito reparos custaram à Corsan R$ 13,5 mil, mas o valor real das obras, conforme os auditorias, não passaria de R$ 3 mil. Em três anos, o prejuízo à companhia de saneamento teria sido de quase R$ 700 mil. O Ministério Público investiga os apontamentos da auditoria. "Uma vez estabelecida perfeitamente qual a conduta praticada tanto pelo servidor quanto pela empresa contratada pela execução do serviço, as possibilidades de penalidade são a reparação integral do dano, eventualmente multa civil, a demissão do servidor público, caso adequada e proporcional ao fato por ele praticado, e também a proibição de contratação dessa empresa pelo poder público em novas licitações", afirma o promotor de justiça Evandro Kaltbach. A Polícia Civil de São Marcos também investiga denúncias de desvios na companhia, com suspeitas de participação do servidor citado na auditoria, Marcio Rabeschini. O material foi apreendido pela polícia. "Esses canos foram pagos por um particular a esse funcionário da Corsan. Inclusive, comprovadamente, ele nos apresentou o comprovante de pagamento. Então, a gente está apurando crimes de corrupção e também outros crimes que possam haver, ser elucidados ao decorrer do inquérito, além da corrupção, organização criminosa", diz o delegado Rafael Keller. As suspeitas envolvem uma empreiteira que presta serviços de consertos de vazamentos e outras obras na rede da companhia, conforme reportagem exibida pelo Jornal do Almoço, da RBS TV. Funcionários que fazem a fiscalização dariam por concluídos serviços não executados, como uma caixa que teria sido instalada em uma rua da cidade de São Marcos. "Cada caixa vale R$ 2.170, então está aprovado aqui, mas na rua não existe nenhuma caixa de proteção feita", disse o autor das denúncias. Com sete anos de atividades na estatal, o funcionário — que não quer ser identificado — declarou ainda que, nos relatórios de fiscalização dos serviços supostamente prestados pela terceirizada, aparecem fotos iguais para consertos diferentes. "Aqui eu tenho uma ordem feita na [rua] Jacob Studilski, a foto do vazamento é a mesma foto do vazamento na [rua] Joaquim Domingos Vanelli. Aqui na Domingos Vanelli foi feito dia 25 de agosto e da Jacob foi feita dia 14 do sete [julho]", afirma o delator, mostrando os documentos que comprovariam as denúncias. O funcionário que denunciou as suspeitas falou do desejo de ver justiça no caso. "Para tentar melhorar o funcionário público, porque isso nós temos uma visão do povo de que ninguém presta. Eu quero só ver justiça", disse emocionado. Corsan Reprodução/RBS TV Contrapontos A direção da JLV reconhece que subcontratou uma empresa para as obras e que essa empresa usou nos serviços uma retroescavadeira registrada em nome da sogra do servidor Márcio Rabeschini, fato que desconhecia. Considera ainda que foi lesada e roubada, uma vez que a subcontratada recebia por serviços não prestados. Alega também que quando soube dos fatos, rompeu contrato com a firma e que se dispôs a reparar o dano à Corsan. Por sua vez, o servidor Márcio Rabeschini declarou que desconhece os fatos citados nas denúncias e que o advogado dele entraria em contato com a reportagem, o que não aconteceu. Posicionamento da Corsan Além da sindicância realizada, a Corsan também afirma que contratou uma empresa de investigações independente para a realização das sindicâncias internas, buscando mitigar possíveis conflitos de interesse na condução das atuações realizadas por sindicâncias internas e também, para fins de garantir a celeridade necessária para casos envolvendo irregularidades de alto risco de integridade. "Essa contratação sofre resistências internas e foi contestada pelo Sindiágua. Tendo sido, inclusive judicializada pelo órgão e no início do mês tivemos a informação de que foi suspensa por decisão judicial. A Corsan avalia a decisão para tomar as medidas cabíveis e pretende seguir com a contratação. A Corsan reforça seu compromisso com a integridade e com o controle, tomando as medidas adequadas para evitar que este tipo de situação ocorra não só neste caso pontual, mas em todo o âmbito da companhia", informa a companhia. Posicionamento do Sindiágua Não temos nada contra a auditoria externa. Entramos na Justiça por entender que esse tipo de contratação não pode ser feito da maneira que foi, apenas por menor preço, e a Justiça entendeu que estávamos com a razão, que essa forma de contratação era ilegal e que um tema dessa importância não poderia ser resolvido dessa maneira. Até porque temos uma equipe interna de investigações que são as comissões sindicantes e comissão paritária, que fazem um trabalho de investigação e entregam o resultado para a direção da Corsan aplicar as supostas penalidades ou não. Lembramos que o caso apresentado no JA de hoje, as explicações foram consideradas satisfatórias e a atual DIREÇÃO DA CORSAN resolveu arquivar o processo. Em hipótese alguma o SINDIÁGUA defende qualquer irregularidade e sempre se pautou pela qualidade e lisura, tanto que, ao longo da nossa história, oferecemos muitas denúncias internas e externas, em todas as gestões, que já geraram demissões de funcionários. Não concordamos em terceirizar as punições aos empregados da Corsan, pois em momento algum nos foi provado que as investigações internas não são eficazes, bem como somos contra as terceirizações dentro da Companhia que invariavelmente geram problemas e o presidente da Corsan não pode culpar o Sindiágua por sua inoperância interna. Vídeos: Tudo sobre o RS d

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2021/09/15/policia-e-mp-rs-investigam-esquema-de-superfaturamento-desvios-e-obras-fantasmas-na-corsan-em-sao-marcos.ghtml


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