Motoboy negro detido no RS após agressão: PMs envolvidos no caso são ouvidos

  • 20/02/2024
(Foto: Reprodução)
Homem negro acabou contido por policiais, enquanto o homem branco apontado por testemunhas como agressor só foi detido posteriormente. Suposta diferença no tratamento aos envolvidos motivou protestos e gerou abertura de sindicância na Brigada Militar. Homem negro é ferido e acaba detido em Porto Alegre Reprodução/Renato Tonin Borges Homem negro detido no RS após facada nega desavença antiga com morador Os quatro policiais militares envolvidos na abordagem e detenção de um motoboy negro após uma briga com um homem branco, no último sábado (17), em Porto Alegre, prestaram depoimento à Polícia Civil na tarde desta terça-feira (20). A informação foi confirmada pela delegada que investiga o caso, Rosane de Oliveira. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Everton Henrique Goandete da Silva, de 40 anos, foi detido pela Brigada Militar (BM) após ter sido agredido com um canivete. Ele acabou contido pelos policiais, enquanto o homem apontado por testemunhas como o agressor só foi detido posteriormente. A suposta diferença no tratamento aos envolvidos motivou protestos e críticas nas redes sociais. "Tinha que pegar o indivíduo e, como ele (o policial) me pegou, fazer igual. Só que eles não fizeram isso daí. Foram para cima de mim como se eu fosse um saco de lixo. E eu não sou um saco de lixo. Eu sou um trabalhador como todo mundo que tem nessa rua, na rua de lá, na Zona Norte, Zona Sul, em todos os lugares", afirmou Everton. O que se sabe sobre o caso até agora Homem negro detido diz que se sentiu 'um saco de lixo' Dois policiais foram afastados das atividades. Conforme o secretário de Segurança Pública do RS, Sandro Caron, a previsão é que os trabalhos sejam concluídos nos próximos dias. O governador Eduardo Leite pediu "celeridade" na apuração. O advogado Fabio Silveira Rodrigues, que representa dois dos quatro PMs envolvidos, disse que "os policiais chegaram no momento em que "estava tudo conflagrado". "Então, na leitura inicial que eles fizeram, eles precisavam acalmar as duas pessoas para eles poderem ouvir as versões. E eles não tiveram calma dos dois lados. Eles tiveram um que, provavelmente por ter sido o responsável inicial, que falou mansamente, e um outro que estava realmente indignado, e com razão, porque tinha sido vitimado por uma agressão, e que teve uma reação além daquilo que era o esperado, ou pelo menos uma reação nervosa, que precisou ser um pouco mais contido", diz o delegado. A advogada Andrea Ferrari, que representa os outros dois policiais, disse que se manifestaria posteriormente. Em nota publicada no site oficial, a Polícia Civil afirmou que "estão em curso diligências e oitivas de testemunhas e, tão logo se encerre a apuração e todas as provas sejam coletadas, haverá o envio do inquérito para a Justiça". A Secretaria de Segurança Pública disse que não vai passar informações sobre os depoimentos até o final da investigação. A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul informou que também apura o caso. A instituição expediu ofício solicitando informações sobre a abordagem. Versões Em depoimento à Polícia Civil, o homem branco, de 72 anos, alegou que existiria um conflito entre as partes. O idoso estaria incomodado com o barulho e a aglomeração dos motoboys no entorno do local em que mora. O g1 não conseguiu contato com a defesa dele. Segundo o advogado de Everton, Ramiro Goulart, o morador teria jogado óleo de cozinha nos bancos que eles costumavam ficar sentados entre uma entrega e outra. Em outra oportunidade, o homem teria recolhido os assentos e levado para dentro da própria casa. "Nunca houve desavença da parte dos motoboys em relação ao [homem branco], afirma o advogado Ramiro Goulart, que representa o motoboy. Conforme o advogado, Everton prestou dois depoimentos na tarde de segunda-feira (19). Ele foi ouvido na sede do 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), na sindicância que apura a abordagem dos PMs, e na 3ª Delegacia de Polícia (DP) da Capital. Óleo de cozinha em assento que era usado por motoboys Arquivo Pessoal/Ramiro Goulart À RBS TV, a delegada Rosane informou que deve indiciar o motoboy negro e o morador branco por lesão corporal. "Efetivamente, vai ter o indiciamento de lesão corporal de ambas as partes, tanto do motoboy quanto do senhor, que feriram-se mutuamente. O outro delito [racismo na abordagem policial] ainda vai ser apurado", diz. Homem negro é ferido com faca e acaba detido em Porto Alegre VÍDEOS: Tudo sobre o RS Initial plugin text

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2024/02/20/motoboy-negro-detido-no-rs-apos-agressao-pms-envolvidos-no-caso-serao-ouvidos-nesta-terca-feira.ghtml


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